A Cidade

Maio 19, 2008

Existe uma cidade que, por pior que seja, é insubstituível.

(Se você nasceu e cresceu no mesmo lugar, sabe do que estou falando.)

Você reclama da Cidade, de como ela se tornou violenta, de como lá o tempo parece não passar e nada de realmente interessante acontece. E, ainda assim, você sempre volta.

Crescer em um lugar é algo perigosíssimo. Cria vínculos difíceis de desatar. Por mais que você a chame de feia, insípida ou desagradável, a Cidade sempre dá um jeito de te puxar de volta. É provável que cada esquina do lugar tenha moldado o seu caráter, sua personalidade, seu gosto. Se você hoje odeia a Cidade, é porque ela quis assim, para que quando você estivesse longe a saudade se tornasse ainda mais amarga.

Nas paredes do melhor e menos lucrativo cinema da Cidade (para mim, o nome da Cidade é Vitória. Para você, talvez seja outro nome completamente diferente) esteve escrito: “‘Aquele que não sabe para onde vai deve lembrar-se de onde veio.’ – Provérbio africano”. Quanto mais os dias passam, mais acredito nessa frase. E adoraria saber quem foi o idiota que a tirou daquela parede.

Contrariando essa simples lógica – ela avisa, em vão, que é impossível romper o campo gravitacional da Cidade – você tenta se afastar. Promete não pensar nela mais e se esconde no lugar mais longe possível.

É como juntar seus pertences aos 6 anos de idade e se despedir da mãe, prometendo fugir de casa. Causa um espetáculo divertido de ver. E só. Tanto você como ela sabem que a farsa não durará mais que uma volta em torno do quarteirão.

Você, completamente indefeso, caminha olhando para trás.

A Cidade acena do portão e sorri com desdém. 


Alguma coisa que preste

Maio 11, 2008

Já passou da hora de utilizar a internet pra fazer alguma coisa que preste. 

(Não, a primeira não vai ser esse blog, mas foi muito gentil da sua parte pensar isso.)

Um dia eu abri minha caixa de e-mail e vi um e-mail cujo assunto era mais ou menos assim: “fwd:fwd:fwd:fwd:fwd:fwd:fwd:fwd…”. Comecei a ler o título quando passava o Globo Ciência e só terminei durante o Fantástico. E-mails como esse, inevitavelmente, contêm:

a) Palavras de conforto e otimismo. Deus te ama! Sorria para o seu vizinho no elevador. Não fique nervoso se alguém te cortar no trânsito. Não dê um tiro pelas costas em sua mulher durante o jantar e deixe o cadáver sentado com a cabeça afundada no prato de sopa. Isso não é legal!

b) Imagens fofinhas e engraçadinhas de bichinhos bonitinhos com legendinhas engraçadinhas ao som de What a wonderful world – se Lewis Armstrong já não estivesse morto, provavelmente teria outro ataque do coração ao abrir sua caixa de mensagens hoje em dia.

c) Piadas geniais (ao menos eram geniais em 1995) ou links para um vídeo idiota no youtube – se você der muita sorte, pode ser um cachorro andando de skate.

E-mails fwd:fwd:fwd:fwd:whatever são incrivelmente nocivos à saúde mental do internauta, aumentando fortemente o grau de stress. Dados estatísticos mostram que, à medida em que aumenta o envio desses e-mails, aumenta proporcionalmente a quantidade de cadáveres sentados à mesa de jantar com a cabeça afundada no prato de sopa!

Há também os e-mails de “Re:Assunto”. Curiosamente, eu nunca me lembro de ter falado sobre o tal assunto, ou de ter enviado algum e-mail com aquele título. Também no corpo da mensagem não encontro pistas para o enigma. Só ofertas de Viagra e Cialis a preços baixíssimos, tudo feito com cartão de crédito e muita segurança no site www.farsa.com.br/roubo/roubodedinheiro/comprasegura. E o que dizer dos e-mails de “aumente seu pênis”? Se meu pênis tivesse de fato aumentado três a quatro centímetros para cada um desses e-mails, eu hoje poderia morar em Salvador e mijar na Lagoa dos Patos.

Aceito comentários com algo de realmente imperdível pra ver na internet. Por enquanto, o melhor que achei foi isso: