Maldito, maldito, maldito

Outubro 24, 2008

São três maldições; uma é esse sofrer constante, a outra é o querer colocá-lo para fora, seja pela palavra, pela nota, pela câmera; a pior das três maldições é o não conseguir.


deus e o mundo

Outubro 23, 2008

Vim ao mundo nervoso de pai e mãe, órfão de bom senso, com uma paciência natimorta. Lutei contra minha agressividade e descobri não ser páreo para um inimigo como eu. Detonado o projeto de uma vida menos explosiva, restou a hipótese de canalizar o ódio na direção de algo construtivo.

Nunca funcionou.

Conformou-me a possibilidade de socializar a raiva. Basta uma vingança calculada, bem executada, trabalhosa… e estou como novo! Nada é mais edificante do que um filho da puta na lama.

E quando o crime não tem réu? Quando bate essa sede de sangue, incapaz de tolerar o que quer que seja, a necessidade de ver ruir tudo, mas ninguém em especial? Só posso crer que, na falta de um alvo, é melhor atirar para todos os lados, atacar deus (com minúsculas) e o mundo, usar a mágoa para desconstruir tudo que existe. Cada ser vivo, cada ser morto.

Uma vez devastado, é possível que o planesta finalmente se torne habitável.