Parece-me que hoje deveria ser um dia especial. É um dia qualquer, contudo.
Cardiopatia
Fevereiro 26, 2009Aplica-se sobre o amor uma lente de aumento e fica evidente que ele não é deste planeta.
“Já operei diversos cérebros e não vi sequer um pensamento.”, dizia o velho neurocirurgião, já eu quebrei o meu coração suficientes vezes sem nunca ter encontrado o amor entre os cacos. (Estes, armazeno no congelador, planejando requentá-los no microondas, provavelmente num domingo tedioso e acompanhados de feijão de sexta.)
Pelo que sei, o amor permanece incógnito e muito bem escondido. Estão todos a buscá-lo, mas tão poucos o sabem, se é que sabem. Os outros ficamos à procura, 6 bilhões de corações batendo em freqüências desarmônicas.
E quando pensamos tê-lo achado… ah, a beleza! Oh, a poesia! Tão doce fica a vida, meu tio hipoglicêmico não a suportaria. Todo som vira música, inclusive giz na lousa e motor de kombi. Enfim a alma gêmea encontra seu par entre tantas outras, em meio a um mundo tão vasto. O universo torna-se quase compreensível! É tudo tão improvável, e no entanto tudo é.
Mas chega um dia – e eles não param de chegar, em média a cada 24 horas – em que tropeçamos nesse castelo de cartas. De um ângulo privilegiado, podemos observar enquanto o chão se aproxima de nossas testas. O coração salta do peito, projeta-se para longe, quica feito bola de basquete, até que cessa seu movimento. Após instantes, como uma granada, lança seus estilhaços em todas as direções.
Publicado por Marto
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