Meus olhos não choram ainda
mas hão de chorar em breve,
que a alma, já muito ferida,
chora (e, no entanto, ninguém percebe).
Aqui dentro bem escondida,
a alma tenta se represar.
O tempo passa e não cessa a tristeza;
as lágrimas se unem em correnteza,
já as sinto extravasando pelo olhar.
Meus olhos não choram ainda,
mas hão de chorar de alguma maneira,
que o sofrer mudo e a dor contida
acabam condensando em cachoeira.