Copacabana

Julho 18, 2009

Ando pela praia em busca de um lugar onde se coma bom peixe, mas não há nada parecido até onde alcançam meus olhos, entre opções que vão de pizza a hambúrgueres e batata frita. Os cariocas não sabem comer na praia, penso.

Um vendedor passa com um saco cheio de seus semi-áridos biscoitos de polvilho mas me decido por uma inapropriada empada. Peço à feia vendedora que faça-me o favor, duas empadas, ela replica que eu falo engraçado. Digo que venho de Vitória, ela me pergunta onde isso fica, digo que é uma ilha, ao Norte, no Espírito Santo, ela diz que vem da Ilha do Governador, que também é na Zona Norte e tem vista para o Cristo. Eu não digo nada.

Caminho em meio a uma multidão de estrangeiros bronzeados, observo prédios em que não vou morar, carros em que não vou andar, mulheres que não vou ter. O Forte vai crescendo em minha vista, traz à lembrança o cheiro dos doces extravagantes que se comem ali dentro. Na maior parte das vezes, a vida por aqui é um pouco sem sal.

Avisto o Poeta e sento ao seu lado, ele parece não se incomodar. Ofereço-lhe uma empada, ele não aceita. É, a comida da minha terra também é melhor que a daqui, eu digo. Ele continua com o olhar melancólico perdido em algum ponto, ficamos os dois em silêncio.

“Nunca faremos parte dessa cidade, não é mesmo?”, eu digo.

Mas o Poeta não diz nada.


No Rio de Janeiro

Julho 18, 2009

Jacaré nada de costas.