Ando pela praia em busca de um lugar onde se coma bom peixe, mas não há nada parecido até onde alcançam meus olhos, entre opções que vão de pizza a hambúrgueres e batata frita. Os cariocas não sabem comer na praia, penso.
Um vendedor passa com um saco cheio de seus semi-áridos biscoitos de polvilho mas me decido por uma inapropriada empada. Peço à feia vendedora que faça-me o favor, duas empadas, ela replica que eu falo engraçado. Digo que venho de Vitória, ela me pergunta onde isso fica, digo que é uma ilha, ao Norte, no Espírito Santo, ela diz que vem da Ilha do Governador, que também é na Zona Norte e tem vista para o Cristo. Eu não digo nada.
Caminho em meio a uma multidão de estrangeiros bronzeados, observo prédios em que não vou morar, carros em que não vou andar, mulheres que não vou ter. O Forte vai crescendo em minha vista, traz à lembrança o cheiro dos doces extravagantes que se comem ali dentro. Na maior parte das vezes, a vida por aqui é um pouco sem sal.
Avisto o Poeta e sento ao seu lado, ele parece não se incomodar. Ofereço-lhe uma empada, ele não aceita. É, a comida da minha terra também é melhor que a daqui, eu digo. Ele continua com o olhar melancólico perdido em algum ponto, ficamos os dois em silêncio.
“Nunca faremos parte dessa cidade, não é mesmo?”, eu digo.
Mas o Poeta não diz nada.
Publicado por Marto
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